quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Uma peça de teatro...

Enviado por Marlon, o secretário Giuliano Fernandes chegou cedo à Celetro.
- “Bom dia, seu Benemídio!” Cara desconfiada, mas cordial como sempre, JBA mostrou-lhe o assento:
- “Senta, guri. Como vai o teu livro sobre a termoelétrica?”
- “Aos trancos e barrancos. Vim, em parte, por isto. Mas na real o prefeito Marlon pediu que eu colocasse todos os recursos à disposição da CTSul...Afinal, quando se fala num investimento de 2 a 7 bilhões de dólares e a governadora não dá nem um adeusinho, fica chato, né?”
- “É Giuliano, é complicado, mas estou acostumado com estas dificuldades...”
- “Mas comigo na SMIC isto vai acabar! Vou aproveitar meu bom momento, o apoio do JP e vou trazer a Yeda, a Dilma e até o Luis Inácio para conhecerem nossa realidade, assim como fiz com a Granol!”
- “Boa, fico contente. Mas não conta com o JP, não! Afinal, eles tem aquele comunista do Minssen infiltrado lá! Aquele gordo safado!”
- “Não, seu Benemídio, a coisa não é bem assim... Veja que até eu, ex-funcionário, sou defendido pelo jornal. O senhor acusa o colunista pela Lei de Imprensa e o jornal não dá uma linha sequer, muito mais o defende...Ademais, todos os outros colunistas são pró termoelétrica! O senhor deve lembrar que quando da vinda da Votorantim em 2006, com a proposta das duas usinas, até um dos escritores do jornal caiu de costas e...”
- “Pára, pára! Não fala da Votorantim! Isto é passado!”
- “Tá bom, desculpe. Mas quando dos chineses, dos holandeses e dos alemães até o Minssen ´tava do seu lado!”
- “Já disse Giuliano: pára, isto não nos pertence mais...Agora são os árabes! Árabes, viu? E só podemos falar deles! E as negociações são sigilosas, viu? Mas eles continuam com o Minssen lá e quero ele no olho da rua!”
- “Também acho que é questão de tempo...”
- “Mas ele não sai não, de jeito nenhum, não vai largar aquela boquinha de R$ 4.300,00 por mês!”
- “Agora pára o senhor, seu Benemídio! Com todo o respeito, é lógico! Acredite, o Minssen não ganha nada por escrever...É só mais uma lenda urbana...”
- “Não acredito, é conversa fiada!”
- “Pois é, eu não sou nem a pessoa indicada para defendê-lo...O senhor sabe quanto ele ganha por ano? Uma assinatura do JP, 1 Anuário de Cachoeira, 1 garrafa de champagne, 2 ingressos para o Jantar dos Destaques e uma ou duas jantas no La Barka, agora parece que no Butikim também...”
- “Que mentira deslavada, Giuliano!”
- “Verdade, o miserável é idealista...Como se isto pudesse existir ainda hoje! Escreve contra a vontade da mulher, das tias e até dos amigos, sempre ausentes para não se comprometerem. Ah! E tem 3 títulos protestados pelo JP devido àquele apedido sobre a termoelétrica! Como é que pode, né? Falta de prática...Agora, desculpe, mas eu liguei para o Minssen – sabe, o traidor é engenheiro e rápido na calculadora – só para conferir alguns dados...O investimento árabe pode ir a 7 bilhões de dólares mesmo?”
- “Pode, e vai!”
- “Então 7 bi menos os 800 milhões iniciais dá uma diferença de 6,2 bilhões de dólares...Ou seja, só esta diferença equivalem a 180 anos de orçamento do município! Que beleza! Sacanagem é o Lula e a Yeda não estarem junto neste lançamento, não é? É o maior investimento no Brasil desde Cabral! O burrinho do Eike Batista vai fazer o mesmo em Candiota por muito menos...”
- “Péraí, Giuliano. O poder te deixou mais gordinho, o terno está esturricado, esta cara de borracha...Meu Deus, tu não é o Giuliano! Tu é o Minssen disfarçado de Giuliano! Rélpi-mi! Cavalaria, fechem os portões! Chamem o Gerceí, o João Bosco e o major Vargas! Socorro!”
Fecham-se as cortinas de uma cena de teatro apresentada pelos alunos do 3º. ano do Colégio Borges de Medeiros em 2013, ano em que anunciava-se a chegada dos sul-africanos para investir no carvão de Cachoeira, com dinheiro inglês.